Histórico

img_historico01Socióloga, professora e historiadora, Aspásia Camargo nasceu em Realengo, no Rio de Janeiro. Formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez doutorado na Universidade de Paris com o sociólogo francês Alain Touraine, de quem foi assistente, e com quem estudou os movimentos alternativos em busca de uma nova sociedade para o século XXI.

Em 1974, de volta ao Rio de Janeiro, ingressou na Fundação Getúlio Vargas onde criou o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) e o Centro Internacional de Desenvolvimento Sustentável (CIDS).1

Em 1991, foi eleita a primeira mulher presidente da Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisas em Ciências Sociais. Também professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Aspásia tem, nos últimos 15 anos, organizado e participado de fóruns e discussões sobre um novo ciclo de desenvolvimento sustentável e de reformas políticas e sociais.

Em 1989, Aspásia foi Secretária de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. Em 1993, assumiu a presidência do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), cérebro do Ministério do Planejamento. Dois anos depois, tornou-se Vice-ministra do Meio Ambiente, quando organizou a Rio + 5 e criou a Agenda 21 brasileira. Ex-assessora especial da Presidência da República, Aspásia entrou para o Partido Verde em 2001 e, em 2004, elegeu-se vereadora do Rio de Janeiro. Este ano, deu início a seu segundo mandato na Câmara Municipal.

SAIBA MAIS!

  • De Realengo a Paris: a paixão pelo Rio
  • A vida acadêmica
  • O casamento e os estudos em Paris: A marca do movimento de maio de 1968
  • Em busca das raízes históricas e de um novo modelo de desenvolvimento
  • Pesquisa acadêmica e prática política: em defesa de um "novo pacto federativo"
  • Idéias para administrar a escassez e superar a crise do Estado brasileiro
  • Compromisso com a Agenda 21 e o desenvolvimento sustentável

De Realengo a Paris: a paixão pelo Rio

Aspásia Camargo nasceu em Realengo, na Fazenda do Bananal de sua avó materna, Maria, junto à Serra do Barata, em fevereiro de 1943. Ela conhece bem a alma do subúrbio, pois morou, também, em Jacarepaguá, o bairro mais verde e extenso do Rio, em Vila Isabel, terra do samba, em Copacabana e Ipanema, no coração da Zona Sul, onde vive hoje. O interesse pela política veio do pai, militar e nacionalista que lutou pela criação da Petrobrás, sempre em favor da legalidade e da democracia.

A paixão pelo Rio de Janeiro é uma referência em sua vida de constantes viagens, desde sua infância, quando morou em Alegrete, terra de Oswaldo Aranha, e em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Viveu sete anos em Paris, onde se casou e fez seu doutorado, mas cada retorno ao Rio era sempre uma emoção e um deslumbramento, tendo como fundo musical o Samba do Avião de Tom Jobim.

Como socióloga, Aspásia estudou e observou a cidade em que nasceu, que é a síntese perfeita da diversidade cultural do país. Seu pai, José Brasileiro Alcântara, era nordestino, cearense, e despertou, desde cedo, seu interesse pela vida intelectual, confiante de que caberia às mulheres papel de destaque cada vez maior nas universidades, na sociedade e na política. Sua mãe, Norma, incentivou-a no mesmo caminho.

A vida acadêmica

Imagem do histórico Em 1964, Aspásia formou-se em Ciências Sociais na legendária Faculdade Nacional de Filosofia da UFRJ (FNFI), onde teve, como professores, amigos que muito a influenciaram: Maria Yeda Linhares, Glaucio Soares, José Américo Peçanha e José Costa Pinto. Tornou-se, em 1966, aos 23 anos, assistente do professor Cândido Mendes na PUC. Nesta época, encantou-se pelas teorias de Celso Furtado sobre o desenvolvimento e o subdesenvolvimento, e as de Raymundo Faoro sobre a burocracia e o Estado patrimonial brasileiro. Na UNE, foi assessora na gestão de Vinicius Caldeira Brandt e José Serra. Aspásia pertence a uma geração que se engajou, desde o início, nas lutas em favor da reforma agrária, de uma justa distribuição de renda e de uma política externa independente. Temas em pauta ainda hoje.

O casamento e os estudos em Paris: A marca do movimento de maio de 1968

Em 1965, Aspásia apaixonou-se pelo escultor Sergio Camargo, que vivia na França, e que ganhou projeção internacional ao receber o Prêmio de Escultura da Bienal de Paris. Em 1967, foi viver com ele em Paris, onde conviveu com grandes artistas e pensadores latino-americanos e brasileiros. Na Universidade de Paris, viveu de perto o Movimento de Maio de 1968, que mudou o mundo e marcou seu pensamento político. Lá, obteve seu diploma de doutorado sobre "As Ligas Camponesas e o Movimento Camponês no Nordeste", tendo Alain Touraine como orientador e Celso Furtado na banca. Influenciada pelos seminários de Touraine, de quem tornou-se assistente, estudou o movimento ecológico e anti-nuclear, o movimento feminista e a redescoberta do corpo, além das propostas alternativas para uma sociedade pós-industrial, com novos atores sociais e um novo modelo de desenvolvimento. Trabalhou ainda com Manuel Castells e Maurice Godelier.

Em busca das raízes históricas e de um novo modelo de desenvolvimento

De seu casamento com Sergio Camargo ganhou duas filhas queridas: Maria e Irene e, quatro netos: Miguel, Clara, João e Nina. Voltaram para o Rio de Janeiro em 1974, onde a beleza da paisagem, a sinuosidade dos morros, e a vibração da cultura popular sempre foram grande fonte de inspiração pessoal para o carioca e o para o artista. Aspásia ingressou na FGV a convite de Celina Vargas do Amaral Peixoto para organizar o setor de pesquisas e de História Oral do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), escrevendo inúmeros livros e artigos sobre a Era Vargas, a questão agrária e a redemocratização do país.

Convencida de que um ciclo de desenvolvimento estava encerrado e outro, mais promissor, estava nascendo, Aspásia se dedicou, nos últimos quinze anos, a organizar e participar de fóruns e debates Campanha 2004, que conduzam o país a um novo ciclo de desenvolvimento sustentável e a um novo modelo de Estado, com a democracia participativa e a sociedade em rede. Deixando para trás o velho industrialismo, poluidor e socialmente injusto, é esta nova sociedade da informação, do conhecimento e dos serviços que ela define como o verdadeiro destino e a vocação do Rio.

Pesquisa acadêmica e prática política: em defesa de um "novo pacto federativo"

Aspásia é grande defensora da descentralização e do poder local e tem extensa produção acadêmica sobre o tema. É identificada como a madrinha do "Novo Pacto Federativo", expressão que introduziu em fórum que realizou na FGV, em novembro de 1991, com: Mario Henrique Simonsen, Eduardo Suplicy, Jaime Lerner, Francisco Dornelles, Everardo Maciel, Nelson Jobim, Antônio Britto, Amir Khair, Benito Gama e José Roberto Rodrigues Afonso. Sobre o tema escreveu inúmeros trabalhos.

Nos últimos anos, concentrou-se no aperfeiçoamento do federalismo cooperativo e nos fóruns regionais, mesorregionais e consórcios intermunicipais, capazes de reduzir as carências das regiões mais pobres do país e de implantar os comitês de bacias hidrográficas, fortalecendo as identidades regionais e locais, suas vocações econômicas e a defesa de seus ecossistemas.

Em 1991, foi a primeira mulher a ser eleita presidente da Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisas em Ciências Sociais. É professora da Escola de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas e professora da Uerj.

Idéias para administrar a escassez e superar a crise do Estado brasileiro

Aspásia iniciou sua vida pública, como continuidade de sua vida acadêmica, na Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, a convite do Governador Moreira Franco. Os cargos que ocupou foram sempre o palco para novas idéias, sujeitas a sérios limites orçamentários e graves carências administrativas. Sua especialidade é administrar a escassez e as crises que exigem ações inovadoras, abertas à sociedade civil e às suas lideranças mais expressivas.

Como secretária de Cultura do Estado do Rio de Janeiro (1989), encontrou a administração nas piores condições possíveis. Nos teatros, museus e escolas faltavam até lâmpadas, que os diretores compravam de seu próprio bolso. Aspásia deixou a secretaria organizada, com o orçamento descentralizado, recuperou o MIS. Com Mario Soares definiu uma nova política de teatros para grandes lideranças da cidade, entregando o Gláucio Gil a Aderbal Freire Filho e o Espaço III do Teatro Villa Lobos a Moacyr Góes. Tombou a Serra do Mar com a ajuda do INPE e diversas ruas históricas de Botafogo, como D. Mariana e Martins Ferreira. Desenvolveu um programa de integração com os municípios do interior.

Em 1993, assumiu a presidência do IPEA, cérebro do Ministério do Planejamento, encarregado das análises sobre a economia e as políticas sociais. A instituição estava abandonada, sem orçamento nem estrutura administrativa. Criou a Rede IPEA, modificou a filosofia de seus estatutos e, em aliança com a Câmara dos Deputados, deu à casa uma estrutura regimental reforçada. Promoveu, com a ajuda do BIRD, grandes debates de repercussão nacional, no Fórum Brasil 1995, sobre o novo ciclo de desenvolvimento com estabilidade, a nova infra-estrutura, o pacto federativo, a emergência da questão urbana, as novas políticas sociais e educacionais, a retomada do desenvolvimento regional e as novas funções para a reforma do Estado. Algumas destas propostas foram incorporadas às políticas públicas, trazendo grandes avanços, outras permanecem na ordem do dia por não terem sido implantadas.

Compromisso com a Agenda 21 e o desenvolvimento sustentável

Em 1995, assumiu a Secretaria Executiva do Meio Ambiente na gestão de Gustavo Krause, com funções de vice-ministra. Abriu o ministério para a intensa participação das ONGs, representou o Brasil nos mais importantes fóruns internacionais e organizou a Conferência Rio +5. Defendeu a expansão da energia renovável com a reestruturação do Programa do Álcool, apesar da oposição do Ministério da Fazenda.

No ministério, implantou a Agenda 21 Brasileira, através da criação da Comissão de Desenvolvimento Sustentável, constituída de membros da sociedade civil e do governo para honrar os compromissos internacionais da Conferência Rio 92 e da Agenda 21 Global, e aplicar as recomendações de seus quarenta capítulos para mudar o modelo de desenvolvimento, introduzindo nos planos econômico, social, ambiental e tecnológico os critérios de sustentabilidade. Aspásia foi escolhida pela Comissão como sua redatora e coordenadora de sua versão final, que apresenta 21 propostas para mudar o Brasil em uma década (consultar o site do Ministério do Meio Ambiente).

Tem participado de inúmeros fóruns nacionais e internacionais sobre a condição da mulher e considera-se uma pós-feminista, defensora da harmonia entre o yin e o yang e da humanização da sociedade pela incorporação dos valores tradicionais femininos: paz e cooperação, conciliação, negociação e fraternidade. Casou-se, pela segunda vez, com José Antônio Pessoa de Araújo, em 1988, separou-se em 2002 e, hoje, estão de novo juntos, vivendo em casas separadas.

Criou, na EBAPE, da Fundação Getúlio Vargas, o Centro Internacional de Desenvolvimento Sustentável (CIDS). Coordenou o Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentável de Búzios. Em 2001, entrou para o Partido Verde, concorrendo como candidata a Governadora, com novas propostas para o desenvolvimento sustentável do Rio de Janeiro.