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A despedida de Zé Wilker

  • Dom, 06 de Abril de 2014 23:15
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    Dolorosa despedida de quem partiu antes da hora. Só no momento da perda é que podemos avaliar o tamanho da perda. Perdemos, com certeza, o ícone da nossa cultura!

    As homenagens que vem recebendo revelam o seu tamanho, ainda maior do que pensavam os que, como eu, sempre o admiraram. Admirável intérprete de tipos humanos que ele lapidou de forma inesquecível.

    Era também um reflexivo. Um estudioso da linguagem. Alimentou-se da cultura popular e do teatro de rua que aprendeu no velho Nordeste, e que aperfeiçoou com Samir Hadad. Era um palhaço, brincalhão e irreverente.

    Morreu contrariando a morte. Jovial. Lindo. Cheio de ideias e de vida. Como disse Irene Ravache, estamos desamparados. Órfãos. Mas ele deixa um grande legado, que resumiu em entrevista para o Zeca Camargo no dia 02 de abril de 2014:
    "0 conhecimento é muito mais do que se aprende nas escolas. É a observação do mundo, desde a leitura de bula de remédio até o movimento das galáxias. É, sobretudo,muita leitura e o lento decifrar dos mistérios da palavra, exaurida pelo uso repetitivo que a empobrece e distorce.

    Lembro-me de sua enorme videoteca e de sua paixão pelo cinema e pelas obras de vanguarda. Vi com ele e Mônica, na casa deles, o famoso e quase indecifrável Koyaanisqatsi, uma vida fora de equilíbrio.

    Morreu nosso ser pensante e pulsante. Foi- se o inconformista. O lutador em defesa de uma grande produtora latino-americana. O ícone de nossa cultura.

    Um beijo na Cláudia, sua grande companheira.

    Zé Wilker, vc se foi. Mas vc fica.

    A despedida de Zé Wilker