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Trágico 13 de agosto que nos levou Eduardo Campos

  • Qui, 14 de Agosto de 2014 19:13
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    Estou em estado de choque, inconformada com a perda do grande brasileiro que eu tanto admirava e que morreu em um desastre aéreo, em hora e local de tempo ruim, em um aeroporto que não dispunha de instrumentos.

    Fala-se na precariedade desses " aviões corporativos" que funcionam sem muito controle, com pilotos sujeitos a estafa.

    Tivemos uma convivência muito próxima nos últimos anos. Eu era muito ligada ao seu avô, Miguel Arraes, que revolucionou Pernambuco nos anos 50 e 60. Escrevi uma longa tese sobre isso. Admirei de perto as virtudes pessoais e cívicas de Eduardo. Ele era um diamante, uma luz, sempre bem humorado, cheio de generosidade e calor humano.

    Político carismático e experiente, brilhante gestor e negociador, ele tinha uma enorme capacidade de ouvir- e de conversar com o povo. Tinha também uma tremenda visão de futuro ao exaltar a inovação, o conhecimento, a ciência e a tecnologia. Foi ministro da pasta e levou esta visão para Pernambuco.

    Em início de dezembro de 2012 fui a Pernambuco para um almoço com o governador com um grupo de deputados da UNALE. Eu e o deputado Beto Albuquerque ouvimos dele um desabafo que anunciava o rompimento próximo. Ele se queixava dos rumos da política econômica do governo e da incapacidade de ouvir da presidenta. E fez um desabafo: " o destino da campanha presidencial de 2014 vai ser decidido em 2013. Se o governo não entender, tenho que procurar outro caminho. 2014 será tarde demais", disse ele.

    Miguel Arraes foi o seu grande mestre. Ensinou o neto a administrar Pernambuco, a entender a linguagem do povo e o introduziu na difícil arte de governar com participação.

    Sua morte, no apogeu de sua vida, deixa um grande vazio político, mas sua memória deixa um grande legado. Sua rebeldia, junto com Marina, contra as práticas da velha política e a crítica severa contra uma política que paralisou o crescimento, desindustrializou o Brasil.
    Minha mensagem de pesar à família, Renata, Ana e seus cinco filhos.

    Choro o diamante perdido.

    Trágico 13 de agosto que nos levou Eduardo Campos