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Inventário da natureza para preservar o patrimônio de nossa cidade

  • Qua, 28 de Novembro de 2012 03:59
  • A deputada Aspásia Camargo participou do debate Paisagem Carioca: de quem é esse patrimônio?, da série Rio de Encontros, no último dia 27 de novembro, terça-feira, na Casa do Saber.

    encontros

     

    Ela ressaltou que se dissemina, no mundo todo, uma mudança de filosofia na relação entre cidade e natureza, que devem conviver com harmonia. E, nesse sentido, há avanços na legislação, onde um corpo de decretos e resoluções assegura a proteção e conservação das paisagens, que passam a ser bens públicos.

    “Temos um longo trabalho de inventariar as paisagens do Rio de Janeiro e listar as possibilidades de interação entre natureza e cidade, que deve incorporar os princípios do desenvolvimento sustentável, ou seja, com prosperidade econômica, forte atividade turística e usufruto de seu patrimônio cultural e natural pela população”, disse ela.

    Plano diretor: paisagem é maior bem do Rio de Janeiro

    Foi Aspásia que, como vereadora, presidiu a comissão do Plano Diretor do Rio de Janeiro, com emenda de sua autoria para tombar as paisagens. “Transformamos as paisagens do Rio em seu bem mais precioso”, lembrou.  

    Para a parlamentar, duas questões merecem destaque em relação a estes bens: a desocupação do Jardim Botânico, eleito pela Unesco como patrimônio da humanidade e, mais recentemente, a polêmica construção de um píer em Y pela Companhia Docas do Rio de Janeiro no Porto. A previsão é de que um novo atracadouro próximo ao Armazém 2 vai atrapalhar a revitalização que vem sendo planejada para a área.

    “Vejam o caso do Museu do Amanhã. Ele teve que se adaptar aos padrões urbanísticos da região e agora, menor, será engolido por um abraço de navios monstruosos que vão tapar sua vista”, disse ela, que anunciou que vai tomar providências contra a construção do píer. Para Aspásia, a sociedade patina em problemas cujas soluções já foram apontadas e práticas e debates são obsoletos.

    “A legislação ambiental, por exemplo, já diz tudo desde o início da década de 80. A própria paisagem deveria ser protegida por um conjunto de normas, como leis e decretos, já em vigor. No entanto, as instituições burlam a legislação. O Jardim Botânico está ameaçado pela força que deveria o proteger, e a Docas do Rio de Janeiro vai intervir no Porto sem sequer ouvir a autoridade portuária”, chamou atenção.  

    Na mesa estavam ainda a paisagista Cecília Herzog, o economista e professor da PUC José Márcio, e o arquiteto Augusto Ivan, responsável pelo corredor cultural do Centro do Rio.

    Inventário da natureza para preservar o patrimônio de nossa cidade