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Excesso de lixo e esgoto na Baía de Guanabara. Será esse o nosso legado em 2016?

  • Sex, 28 de Dezembro de 2012 14:17
  • Aspásia Camargo, presidente da Comissão de Saneamento Ambiental da Alerj, pede ao Estado o mapeamento das ações de despoluição da Baía, as quais ela chama de "colcha de retalhos"


    altA foto da velejadora Isabel Swan em meio ao esgoto da Baía de Guanabara, publicada dia 28 na coluna do jornalista Ancelmo Góis, no jornal O Globo, mostra que tipo de legado estamos construindo para os Jogos Olímpicos de 2016. Há um movimento de velejadores na mídia e nas redes sociais sugerindo que, nas Olimpíadas, a vela seja disputada em Búzios e não na Baía, como previsto. Os velejadores temem a quantidade de esgoto e lixo que poluem o corpo hídrico. A despoluição da Baía de Guanabara é uma promessa que se arrasta há diversos governos e prometida ao Comitê Olímpico Internacional (COI). Para a deputada Aspásia Camargo, presidente da Comissão de Saneamento Ambiental da Alerj, os projetos de despoluição em curso são modestos e pontuais para fazer valer o compromisso com o COI.

    “O histórico de tentativas vem sendo desastroso, vide o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara que gastou mais de dois bilhões de reais, não resolveu em quase nada o problema do esgoto  e acabou em CPI”, lembrou a parlamentar, que foi também membro da Comissão Especial do Legado dos Mega Eventos Esportivos, da Assembleia. 

    Aspasia defende o saneamento como legado dos Jogos Olímpicos. "Com a minha lei de política de saneamento temos que enquadrar a CEDAE. Temos que ter uma agência reguladora, metas, objetivos, para que esse desastre do PDGB não continue", completa Aspasia. 


    Em abril de 2011, o Governo do Estado lançou o Pacto pelo Saneamento, que promete tratar 80% do esgoto do Rio de Janeiro até 2018. Desde então, a deputada vem pedindo um mapeamento das ações previstas para atingir a meta. Em maio deste ano, Aspásia convidou o coordenador do novo Programa de Saneamento Ambiental dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara (Psam), Gelson Serva, para dar esclarecimentos sobre as ações em curso. Serva explicou que, atualmente, despeja-se 20 mil litros de esgoto por segundo na Baía. Desses, o Psam vai cuidar de 3.750. Cerca de outros cinco mil já são tratados pela infraestrutura do Estado, através da Cedae. Desconhece-se, no entanto, os planos para cuidar de mais da metade do esgoto produzido pelos 8,3 milhões de pessoas das áreas de bacias hidrográficas conectadas à Baía de Guanabara.

    "Ninguém consegue explicar o porquê de tantos problemas. Falta de água, desperdício, esgoto não tratado. Como pode?", questiona Aspásia. “Os programas que vêm sendo executados são uma colcha de retalhos. O Estado coloca metas, mas não informa exatamente o que pretende fazer para cumpri-las. O Psam pode até ser mais focado do que o PDBG e, por isso, pode funcionar. Mas é muito modesto para atender as metas olímpicas. Vamos mostrar ao mundo um Rio de Janeiro inundado de lixo? Além da Baía, o Rio se comprometeu com o COI em despoluir também as lagoas da Barra”, alertou a deputada Aspásia Camargo.


    PDBG

    Para Aspásia, o saldo nada positivo do PDBG foi resultado de uma aberrante falta de planejamento. Foram quase 15 anos de duração com sete postergações, o que gerou  conseqüências graves, como o afastamento dos agentes financeiros e o programa foi descontinuado depois de mais de R$2 bilhões investidos. “A herança que ficou para o Rio são estações de esgoto inutilizadas, espalhadas pela cidade, muitas áreas com esgotamento ainda precário e, hoje, tanto  a Baía, como boa parte do sistema hidrográfico que nela deságua, permanecem quase mortos”, destacou a deputada.

    Excesso de lixo e esgoto na Baía de Guanabara. Será esse o nosso legado em 2016?