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Chuvas no Rio: entra ano, sai ano ... Nada muda!

  • Sáb, 19 de Janeiro de 2013 12:14
  • Quando nuvens carregadas se formam no céu, os cariocas já sabem que trata-se de uma senha para evitar alguns bairros da cidade. Um deles é a Praça da Bandeira ou Praça da Banheira, como gostam de brincar alguns.


    altÉ impossível passar por ali em dias de temporal. E não adianta insistir: os carros não passam e quem tenta atravessar a pé se arrisca a cair em um buraco ou num bueiro. O ideal é deixar a água escoar para depois se deslocar.

    Os alagamentos na Praça da Bandeira são um problema bastante antigo no Rio. Datam do século XVIII. A prefeitura anunciou em janeiro de 2012 investimentos da ordem de R$ 292 milhões - âmbito do PAC-2 para obras naquela área. Serão construídos quatro reservatórios subterrâneos, que farão a captação da água da chuva. Essas intervenções na Praça da Bandeira são para evitar o transbordamento dos rios e a consequente cheia das ruas. Tais piscinões receberão água e lentamente tudo será jogado para o sistema de dragagem. Alguns engenheiros, entretanto, alertam para possível erro de projeto. O argumento é que as chuvas levarão junto muito lixo, que entupirá a saída dos piscinões. Se  chover dias consecutivos, o escoamento pode não acontecer.

    Mas até lá, as cenas se repetem. Lojistas com águas nos joelhos, prejuízos para o comércio e um beco sem saída para os cariocas. Mas em todo o estado do Rio o que se vê são ações pontuais. Niterói, por exemplo, tem hoje 1.183 pontos passíveis de escorregamento distribuídos em 29 áreas de extremo risco. Na última chuva, a Defesa Civil de Niterói registrou 36 ocorrências, a maioria por deslizamento e alagamento. E as encostas? Continuam ocupadas de forma irregular.

    No Rio, um ônibus ficou ilhado sob a linha férrea no local conhecido como Buraco do Lacerda, na Rua Bráulio Cordeiro, no Jacaré. O veículo enguiçou, e 50 passageiros tiveram que ser resgatados de bote pelos bombeiros. De bote!!!

    Entra ano e sai ano, nada muda. Não há prevenção, proteção de encostas ou investimentos em novas tecnologias - baratas e inteligentes - usadas em diversos países do mundo que possibilitam ações sustentáveis no combate a enchentes. E a cada ano, infelizmente, vidas se perdem.

    Chuvas no Rio: entra ano, sai ano ... Nada muda!