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De onde vem a sujeira de cada praia do Rio?

  • Sex, 22 de Março de 2013 22:53
  • Debate público marca o início do mapeamento das causas específicas para a poluição de cada pedaço da orla.


    destaque_balneabilidade_interno_23032013Começou a ser elaborado o mapeamento das razões que tornam as praias do Rio de Janeiro não balneáveis. Um debate público sobre poluição e desordem urbana na orla que vai do Flamengo até São Conrado, promovido pela deputada Aspásia Camargo, mostrou que, em cada bairro, há causas específicas para o excesso de lixo e esgoto na areia e no mar.


    “Embora a falta de saneamento ambiental seja generalizada, vimos que cada lugar tem a sua especificidade. Simplificar o problema, portanto, seria irresponsabilidade pública”, afirmou a parlamentar, que é presidente da Comissão de Saneamento Ambiental da Assembleia Legislativa.

     

    O encontro ocorreu no último dia 22 de março, Dia Mundial da Água, na Alerj, e reuniu lideranças comunitárias, associações de amigos e moradores, acadêmicos, técnicos e autoridades. Praticantes de Stand Up Paddle, de Copacabana, afirmaram que o Posto 6 tem estado abarrotado de lixo vindo da Baía de Guanabara, devido ao vento leste, típico desta época. O movimento Salvemos São Conrado mostrou as fotos do rio que desce do alto da Rocinha carregando todo o esgoto e lixo da comunidade e, em seguida, de uma Estação de Tratamento de Esgoto que deveria diminuir o impacto dos resíduos antes das águas desembocarem no oceano.

     

    Suas instalações, porém, não funcionam e tudo vai parar in natura no mar. Para completar, eles contaram que o encanamento que leva parte do esgoto do bairro para o emissário submarino de Ipanema rompe, pelo menos, uma vez por semana. E cai tudo aonde? Já representantes dos moradores de Ipanema trouxeram dados de que a badalada praia tem a areia mais poluída da cidade.

     

    Bruno Pereira, do Quadrilátero do Charme, contou que ele próprio já saiu catando lixo, num determinado trecho de areia, segundos depois da passagem dos garis da Comlurb pelo mesmo local. Monitoramento Aspásia Camargo é autora de um Projeto de Lei que dispõe sobre a divulgação mais acessível de informações à população sobre as condições de banho das praias.

     

    Nesse encontro, ela começou a articular a criação de uma comissão para redigir um relatório que vai aprofundar as informações debatidas entre sociedade civil e representantes de órgãos governamentais, na ocasião. O objetivo é que o documento aperfeiçoe a proposta de lei de Aspásia e inspire outras ações. O PL começou a tramitar na Alerj no final de fevereiro e tem três objetivos principais: instalar painéis que informam se águas e areias estão próprias ou impróprias; obrigar o órgão governamental responsável pela medição da qualidade do mar a divulgar os resultados em seu portal; e fazer com que ele monitore também as areias.

     

    Para ela, o debate mostrou o quanto o monitoramento e a transparência nas informações são instrumentos poderosos para acelerar o processo de cuidado e preservação das praias do Rio. “Temos que fazer valer a vocação desses paraísos que são um patrimônio tombado e, como tal, devem ser protegidos. Além disso, são preciosas áreas turísticas e fonte de alegria de viver do carioca”, disse ela.

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    Avani Brito, líder de inúmeras associações de barraqueiros das praias. Ele disse que os ambulantes estão empenhados na organização das praias

     

    O oceanógrafo David Zee

         
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    Aspásia mostra uma foto da Praia do Arpoador, point de surf abarrotado de lixo.
      O presidente da Associação de Moradores e Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães, criticou a defasagem dos resultados sobre as condições de balneabilidade das praias, pois há um intervalo de dias entre o momento em que a coleta da água é feita e analisada até a informação ser divulgada para a população. Ele também questionou por que não se faz a medição dos impactos dos grandes eventos que são realizados, principalmente, na praia de Copacabana
         
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    Fabrine Tapajós, do movimento Salvemos São Conrado, que tem atuado principalmente através das redes sociais.
     
    Inês Barreto, presidente do Projeto de Segurança de Ipanema (PSI), criticou o uso que cidadãos e turistas fazem das praias. O tempo de permanência nas areias é muito longo, provocando desequilíbrios que poluem e destroem a vida que há nelas, por isso, estão escuras e sujas.

     

    De onde vem a sujeira de cada praia do Rio?