• PDF
  • Imprimir

Hora de salvar a Lagoa

  • Qua, 03 de Abril de 2013 21:34
  • Comissão de Saneamento discute projetos de despoluição e cobra agilidade na implantação.

     

    Há 15 anos, a população do Rio de Janeiro ouve notícias sobre a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas. Outra notícia bastante familiar para os cariocas é a morte de toneladas de peixes nestas águas que estão poluídas e não são apropriadamente renovadas. Acontece que só faltam três anos para as Olimpíadas e é na Lagoa que vão ocorrer as provas de remo. No último dia 3 de abril, quarta-feira, a Comissão de Saneamento Ambiental, da Alerj, presidida pela deputada Aspásia Camargo, reuniu os órgãos públicos e privados envolvidos na despoluição do corpo hídrico para debater as técnicas que estão sendo cogitadas: os dutos afogados ou o enrocamento. Segundo ela, chegou o momento de pressionar as autoridades para que a despoluição tenha início já!  

    “Bons projetos já foram apresentados neste período. Mas, no Rio, parece que tudo é emperrado. Agora é preciso desencantar as soluções que existem. O que fizemos hoje foi ouvir as partes em litígio para esclarecer equívocos e ajudar nessa decisão”, disse a deputada.

    De acordo com o representante da Secretaria de Meio Ambiente do município, Alexandre De Bonis, neste momento, a prefeitura está inclinada a escolher o projeto de dutos afogados – conexão entre o oceano e o Jardim de Alá por meio de tubulações subterrâneas  que vão dar maior vazão à renovação das águas. Segundo ele, o estudo de impacto ambiental já está pronto e será distribuído a todos os órgãos públicos relacionados.  Em seguida, vão ter início as audiências públicas.

    “A população precisa saber o que está acontecendo na Lagoa, que não pode ser outra Baía de Guanabara, cujos debates em torno de sua despoluição já passam de 30 anos e suas águas continuam sujas. Agora, não temos mais tempo. As olimpíadas já estão aí”, enfatizou a deputada. Aspásia exigiu também uma melhor atuação da Cedae já que, segundo o próprio De Bonis, foram identificados mais de 30 pontos de despejo irregular de esgoto na Lagoa. “O maior legado dessas Olímpiadas deve ser o saneamento”, enfatizou ela. 

    Participou também da audiência o deputado Jânio Mendes (PDT).

    alt   alt

    O representante da prefeitura, Alexandre De Bonis, explicou que, atualmente, existem três alternativas cogitadas para a despoluição da Lagoa: “poderíamos deixar como está, só com o monitoramento e o trabalho de dragagem que já é realizado; instalar os dutos afogados;  ou ainda optar pela técnica do enrocamento”, disse.  Segundo ele, os dutos e o enrocamento são equivalentes na questão do aumento da vazão para renovação das águas. Mas, estima-se que os impactos urbanísticos para execução das obras para colocação das pedras, no caso do enrocamento, seriam mais graves.

     

     Críticas aos dutos afogados: o engenheiro Flavio Coutinho chamou atenção para a possibilidade de entupimento das tubulações por areia, tanto no canal, quanto no oceano. O pescador Pedro Martins teme que, com o fechamento do canal – em função da instalação dos dutos – impossibilite a entrada de peixes na Lagoa.

         
    P1060562    
     Um dos equívocos esclarecidos durante o debate foi o da perda de areia das praias do Leblon e do Arpoador. “Durante anos, o governo, para economizar, permutou os serviços de uma draga instalada no Jardim de Alá pela extração da areia das praias. Hoje, vimos que ambas as técnicas de despoluição apresentados na audiência, enrocamento ou dutos afogados, vão fazer essa reposição”, disse a deputada Aspásia Camargo, ressaltando que a extração predatória das areias das praias constitui crime ambiental.
       
         
         
         
    Hora de salvar a Lagoa