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Aspásia: "Sou píer em E"

  • Ter, 30 de Abril de 2013 16:08
  • Debate no IAB apresenta a alternativa dos arquitetos do Rio ao píer em Y.

    O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), sob o comando do presidente Sérgio Magalhães, promoveu no último dia 29 de abril um encontro para a discussão do píer em E, que poderia substituir o atracadouro com formato de Y, prestes a ser construído no Porto do Rio pela Companhia Docas. O início das obras foi adiado por ação judicial movida pela deputada Aspásia Camargo, pois o projeto das Docas irá impactar de forma brusca a paisagem do Porto. Localizado entre os armazéns 2 e 3, o Y permitirá a atracação de seis navios de 60 metros de altura, simultaneamente, que irão tapar as mais modernas intervenções arquitetônicas das obras do Porto Maravilha. Entre elas, o Museu do Amanhã.

     

    Ação judicial

    No final do ano passado, a deputada Aspásia Camargo entrou com uma ação popular pedindo a suspensão do início das obras do píer em Y, que sequer tinham o estudo e o relatório de impactos ambientais. "O poder público disse que as obras estavam dispensadas desse tipo de licença, pois não haveria impactos ao Meio Ambiente. Mas a Resolução Conama considera também como prejuízo ambiental os impactos urbanísticos que, nesse caso, serão graves. E a cidade do Rio de Janeiro está protegida ainda por outra legislação, o seu Plano Diretor. Nele, há um capítulo só de preservação à paisagem do município, considerando também que este é seu mais valioso patrimônio", explicou Aspásia, que é autora da emenda da paisagem, no Plano Diretor.

     

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    Aspásia e o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), Sidney Menezes

     

    O encontro contou com a apresentação do projeto do píer em E, feita pelo arquiteto João Pedro Backheuser. Foi seu escritório que ganhou a licitação das obras do Porto Maravilha e, por já estarem realizando estudos no local, os profissionais conseguiram chegar a um projeto que poupa a paisagem e permite que o turista do navio circule entre as atrações, como lojas e restaurantes, do Porto, gerando receita. A única objeção feita ao projeto seria um aumento de 30% no custo das obras, previstas para uma área mais rasa da Baía de Guanabara.

    "Esse percentual significaria mais R$200 milhões no total. Mas o que representa essa quantia diante do fato de que esta é uma construção que irá se perpetuar na cidade do Rio de Janeiro? Ou seja, uma vez iniciada, provavelmente vai fazer parte para sempre da cidade! Quanto afinal custa uma decisão errada?", questionou João Pedro.

    Atualmente, a ação judicial que suspendeu as obras do píer em Y, movida por Aspásia, está na justiça estadual e aguarda decisão do recurso na 17° Câmara Civil, podendo ser encaminhada para a justiça federal. As obras do atracadouro ainda não começaram.

     

    O píer em E

    A ideia principal do projeto de Backheuser é integrar a área marítima à Zona Portuária e criar um ponto de convivência para futuros moradores (considerando que a área está sendo revitalizada) e turistas. O projeto prevê a construção de três atracadouros perpendiculares para seis navios e um terminal de passageiros elevado, liberando, assim, o espaço do entorno para a criação de um boulevard que vai da Praça Quinze à Avenida Francisco Bicalho. O arquiteto ousou ainda mais: propõe a criação de uma marina com capacidade para até 250 barcos de cerca de 30 pés.

    Aspásia: