• PDF
  • Imprimir

Aspásia: "Somos um Grande Rio"

  • Seg, 17 de Junho de 2013 11:34
  • Comissão da Alerj discute o  Plano Estratégico da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

    Morar na periferia e trabalhar no centro é a realidade de 75% dos cidadãos do Rio de Janeiro há mais de 30 anos. E passar duas horas, às vezes três, no trânsito, é a incômoda rotina de grande parte destes trabalhadores. A Comissão da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, presidida pela deputada Aspásia Camargo, reuniu-se, no último dia 5 de junho, para ouvir o Subsecretário de Urbanismo Regional e Metropolitano da Secretaria de Estado de Obras do Governo, Vicente Loureiro, que apresentou o Plano Estratégico da Região Metropolitana. O programa  visa resolver os gargalos gerados pela falta de integração entre os municípios que formam o Grande Rio. E o principal deles é justamente a mobilidade, que se agrava com a concentração de empregos em um único núcleo da metrópole.

    alt

    Da esquerda para a direita: deputada Aspásia Camargo, presidente da Comissão, deputado Luiz Paulo e deputado André Ceciliano. Do outro lado da mesa, subsecretário Vicente Loureiro.

     

    “O papel da comissão é tornar a Região Metropolitana uma realidade, organizando este território. Esta discussão já existe há décadas. Pois não importa em que município moramos, o fato é que circulamos em quase todos eles. A assembleia vai desempenhar o papel de acompanhar, controlar, criticar e sugerir estratégias para este plano. Pois sua execução não será fácil”, opinou a deputada Aspásia Camargo.

    Para ela, é importante pensar a vida da população dessa região como dependente de vários serviços: a habitação precisa ser mais barata e estar localizada perto dos meios de transporte, como linhas de trem; o emprego tem que estar mais perto e, se não estiver, a locomoção deve ser mais veloz; serviços, como a Internet, têm que ser disponibilizados em todos os lugares; assim como as possibilidade de lazer, que precisam ser melhor distribuídas. “Isso vai potencializar a economia e melhorar a qualidade de vida da população. O Rio tem que deixar de ser isolado e se aproximar de grandes polos como Nova Iguaçu, São Gonçalo, e, agora, Itaguaí, que devem explorar suas vocações. Em suma, somos um Grande Rio”, observou ela.

    alt

     

    Um dos pontos discutidos entre o subsecretário Vicente Loureiro, Aspásia e os demais deputados presentes, Luiz Paulo (PSDB) e André Ceciliano (PT), são as dificuldades para a execução das estratégias do plano. “Um dos grandes desafios é como fazer com que cada prefeito, sem prescindir da sua autoridade, das suas prerrogativas, coopere com os municípios vizinhos e/ou com os prefeitos de cidades mais longínquas. Todos vão ganhar com essa integração. Até os recursos serão utilizados de maneira mais eficiente”, colocou Aspásia.

    A parlamentar lembrou ainda a Grande Paris, na França, que talvez seja a mais bem consolidadametrópole do mundo em termos de transporte, tecnologia, meio ambiente, entre outros aspectos. No Brasil, o exemplo levado à reunião foi a Grande Belo Horizonte, em Minas Gerais. “As atividades econômicas estão numa rede de polinucleação, com diversas centralidades exuberantes”, explicou Loureiro. No Rio, Madureira é um exemplo de centralidade que se perdeu. “É preciso gerar interesses por outros territórios que não sejam a Zona Sul e a Barra da Tijuca”, disse o subsecretário.  

    O plano

    Com grandes esforços para estabelecer uma parceria entre Governo do Estado e Banco Mundial, e com investimentos na ordem de U$ 13 milhões, o plano tem como principal objetivo “errar menos nas soluções dos problemas que afligem os moradores da Região Metropolitana, com um modelo de metrópole para seguir e fazer com que os recursos sejam otimizados e os investimentos atraídos de forma mais harmônica e sustentável, garantido um futuro mais qualificado, com uma metrópole mais bem distribuída nas oportunidades e em oferta de serviços à população. Podendo, inclusive, ser distinto e charmoso morar em vários pontos da metrópole”. Assim foram as palavras do subsecretário Vicente Loureiro, responsável pela iniciativa. Estatísticas mostram que este é o momento da Região Metropolitana: mantidas as taxas de expansão do Rio de Janeiro, dado o cenário atual de investimentos, a previsão é de que sejam gerados 1,5 milhões de empregos em 15 anos. Metade deles estarão na periferia.

    alt

    Aspásia Camargo e Vicente Loureiro

     

    Para ele, nunca existiu um desenho de modelo de metrópole a perseguir. “Conseguimos para a cidade do Rio de Janeiro, mas não para o Grande Rio”, explica o secretário. Segundo ele, a principal dificuldade do plano é o que considera uma “visão diminuída” dos governos que concentram esforços em aspectos setoriais. “Para cada tema, como saneamento ou meio ambiente, há um desenho. Para cada setor, uma configuração diferente. Mas a Região Metropolitana é um fato geográfico. São necessárias estratégias de compartilhamento de poder”, sugere.

    Ele dá o exemplo do Plano Diretor de Transporte Urbano, que acaba em versões que nunca tiveram nenhuma visão de futuro. “Isso soa como se só os desafios do presente merecessem ser vencidos. As transformações que vão acontecer precisam estar incluídas. É uma questão de planeamento, que pode ser feito mesmo que não tenhamos os níveis de governança ideais”, acrescentou Vicente Loureiro.

    Para o subsecretário, a construção da linha dois do metrô ilustra como funciona o que ele chama de compreensão “setorizada” da problemática metropolitana. As obras tomaram 30 anos de investimentos expressivos. No entanto, do ponto de vista do uso do solo, seu entono continua degradado. “Pouco se fez para estimular atividades econômicas, atrair empresas, povoar de forma ordenada, com a contenção da violência e da depredação. Não dá para investir só numa questão. Temos que trabalhar em vários aspectos conjuntos”, salientou.

    Aspásia: