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As aberrações do transporte na Região Metropolitana

  • Ter, 02 de Julho de 2013 14:04
  • Comissão da Alerj, presidida por Aspásia Camargo, realiza audiência pública em Nova Iguaçu.

    Melhorar a qualidade dos vagões e acessibilidade aos trens, reduzir os preços das passagens de ônibus, que devem ser menos sucateados, integrar os diferentes modais, acabar com monopólios e rediscutir concessões de linhas municipais e intermunicipais; oferecer calçadas mais confortáveis, pois 1/3 dos deslocamentos é feito a pé ou em cadeira de rodas.  E ainda promover melhorias em estradas, ruas, vias, ciclovias, e cultivar o respeito a pedestres e aos deficientes físicos.  Essa é apenas uma parte da lista das justas reivindicações feitas por autoridades, lideranças e cidadãos da Baixada Fluminense na audiência pública promovida pela Comissão de Governança Metropolitana, presidida pela deputada Aspásia Camargo, em Nova Iguaçu, no último dia 28 de junho de 2013.

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    “Não é a toa que foram as tarifas desse transporte infernal que desencadearam o movimento que vemos nas ruas: algumas pessoas que moram na periferia ficam confinadas em suas cidades e não conseguem sequer procurar emprego, porque não têm dinheiro para pagar a passagem para o Rio, que chega a R$20 por dia. Fora o tempo que é exorbitante: duas horas para ir e mais duas para voltar”, chamou atenção a deputada.

    A participação da população mostrou que, mesmo dentro de Nova Iguaçu, pode-se levar três horas de um lugar a outro. E o que é pior: em alguns locais, o transporte disponível não chega a pontos centrais, como ao Hospital da Posse. Algumas exposições mostraram deficiências gritantes, como os buracos escandalosos que existem entre os vãos e as plataformas, nas estações de trem.


    Fim da dupla função

    Um dos questionamentos que levantou a plateia lotada foi o de como pode a legislação brasileira proibir motoristas de falarem ao celular enquanto dirigem, mas os empresários de ônibus podem obrigar o motorista a exercer também a função de trocador enquanto manuseia o volante?  “Cadê o Código Brasileiro de Trânsito nessa hora?”, debateu o público.


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    Aspásia e Dom Luciano, líder da Diocese onde aconteceu a audiência

    Para eles,  a falta de fiscalização quanto ao número de pessoas permitido dentro de ônibus, metrôs e trens merece severas críticas, visto a exposição dos passageiros a sérios riscos, em caso de pequenos ou grandes acidentes.  Fora o tamanho desconforto gerado.


    Soluções

    A deputada Aspásia Camargo explicou que o prazo máximo admitido mundialmente para deslocamentos é de 50 minutos. Mas a Região Metropolitana do Rio é uma das mais dispersas e desequilibradas. “A solução é uma radical mudança na visão da mobilidade urbana, com o investimento em trilhos. A lei de ouro é que o transporte tem que ser feito com modais integrados e hierarquizados: trens e metrôs com ônibus e vans fazendo uma integração complementar, assim como ciclovias e espaços para pedestres, que completam esse ciclo, especialmente dentro dos bairros, ou entre bairros vizinhos”, disse a parlamentar.


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    Deficiente Físico tem que ser carregado escada abaixo nas estações de trem

    Todos esses problemas são antigos. Mas a novidade é que, finalmente, há recursos para botar em prática o chamado Plano Estratégico de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. “E eu criei uma comissão na Assembleia para ouvir as partes interessadas, com sugestões e opiniões; e para inspirar nossos governantes a presentear-nos com políticas públicas de qualidade. As soluções já estão na linha do horizonte. Basta que os governos se disponham  a gastar melhor o  dinheiro no que realmente vai fazer diferença para todos nós”, enfatiza Aspásia.

    Segundo o deputado André Ceciliano ((PT), membro da comissão, todas as discussões do encontro serão consolidadas e levadas aos órgãos responsáveis. Já existe, por exemplo, uma reunião marcada com a Supervia.

    Estiveram ainda presentes os deputados Luiz Martins (PDT) e Xandrinho (PV); os vereadores Luizinho e Ferreirinha; o subsecretario Walnei Costa, liderança dos deficientes físicos de Nova Iguaçu; representantes das prefeituras de Mesquista, Nilópolis e Belford Roxo; Dom Luciano, líder da diocese onde aconteceu a audiência; e representantes da Supervia, da Fetranspor e da Firjan.

    As aberrações do transporte na Região Metropolitana