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Grande Rio precisa de governança

  • Qua, 17 de Julho de 2013 11:24
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    Fórum Metrópole Sustentável da FGV explicou ainda como a tecnologia pode ajudar na organização da metrópole, trazendo o conceito de cidade inteligente.

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    Não existe mágica para resolver os problemas da modernidade: transporte, saneamento, infraestrutura. A otimização da governança metropolitana deve ser o instrumento propulsor do desenvolvimento regional. Para a deputada Aspásia Camargo, presidente da Comissão de Governança Metropolitana da Alerj, esse foi o recado dado pelo fórum Metrópole Sustentável, que ocorreu no último dia 9 de julho, terça-feira, na Fundação Getúlio Vargas (FGV), onde grandes autoridades e especialistas debateram o futuro do Grande Rio.

    "Cerca de 45% das pessoas que trabalham no Rio vem de outras cidades da Região Metropolitana. E 25% da população carioca trabalha nelas. Então, tratemos de parar com essa visão, que considero ideológica, de achar que os nossos vizinhos invadem e abusam do Rio de Janeiro", disse a deputada, que foi moderadora das discussões, chamando atenção para a necessidade de integração e descentralização de uma metrópole desigual, que precisa de outros núcleos com dinamismo econômico, bons indicadores sociais e preservação dos recursos ambientais, deixando para trás políticas públicas do passado - como o transporte rodoviário em detrimento de trilhos.

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    O deputado estadual Luiz Paulo

    No momento em que o Poder Público estadual lança mão do chamado Plano de Desenvolvimento Estratégico da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, sob o comando do subsecretário de obras Vicente Loureiro, discutidor do seminário, as temáticas das palestras giraram em torno de pontos considerados chaves, como o investimento em mobilidade urbana - com qualidade e velocidade; uma política de habitação em regiões mais centrais; a geração de emprego e renda nas periferias; a diminuição das desigualdades - como no caso do sistema de saúde; entre outras.

    Tudo isso sob a égide de uma Agência Metropolitana a ser criada para responder aos desafios políticos e econômicos que o projeto de uma metrópole sustentável tem pela frente. O fórum não deixou de lembrar que esta é a era em que também as tecnologias estão disponíveis para trazer soluções e apresentou o conceito de cidade inteligente.

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    A presidente do Instituto Pereira Passos, Eduarda La Roque

     

    Agência Metropolitana

    O evento promovido pela FGV Projetos mostrou o quanto os dados e as metodologias para organizar a Região Metropolitana já estão maduros e são familiares a especialistas e autoridades. Conclusões convergiram para evidenciar, no entanto, a falta de uma estrutura sólida de governança. Os discutidores propuseram a criação de uma Agência Metropolitana, nos moldes da extinta Fundação para o Desenvolvimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (Fundrem).

    O deputado estadual Luiz Paulo (PSDB), que é membro da comissão da Alerj e engenheiro de trânsito, apontou como pressuposto para a iniciativa um fundo com recursos suficientes, assim como mais diálogo entre as prefeituras dos municípios envolvidos. "Chega a ser contraditório. As políticas públicas precisam estar integradas e os prefeitos não se falam por questões políticas", colocou ele, afirmando que a RM depende de uma política estratégica de Estado, que tenha continuidade com as trocas de governos.

     

    Cidades inteligentes

    Se a cidade é o tijolo da construção da sociedade, as tecnologias estão disponíveis para fazer as transformações necessárias. Essa foi a mensagem trazida por Antônio C. Dias, representante da IBM no evento. Para ele, o desenvolvimento tecnológico tem que estar a serviço da organização da metrópole rumo à consolidação das cidades inteligentes.

    "Quais são as áreas a serem atacadas? Segurança? Saúde? Educação? As soluções da tecnologia já existem, basta que haja a definição do modelo de cidade", respondeu. A IBM é a empresa responsável, entre outros projetos, pelo Centro de Operações da Prefeitura do Rio. Claro que existem os desafios para a aplicação desse conceito. Para o especialista, eles passam, por exemplo, pela falta de processos, informações e pessoal qualificado.

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    O vice-prefeito de Niterói, Axel Grael, na mesa sobre governança

     

    Dados do crescimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro por ano

    População – 1%

    Unidades habitacionais – 72 mil (24% apartamentos, 76% casas)

    Mancha metropolitana - 3,4%

     

    O futuro das áreas urbanas

    Dados da ONU apontam que, até 2050, 70% da humanidade vai viver em áreas urbanas. E para atender esta demanda, 60% a mais da quantidade de edificações que existe, hoje, no mundo será construída para abrigar a população crescente. A previsão de investimentos é da ordem de $40 trilhões, não só com as edificações, mas com transporte e readequação ambiental das estruturas que já existem, principalmente nos países de primeiro mundo.

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