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Aspásia pede mapeamento das adutoras da Cedae

  • Sex, 16 de Agosto de 2013 15:47
  • Audiência pública da Comissão de Saneamento sobre o acidente de Campo Grande evidencia a ocupação irregular e a circulação desenfreada em terrenos por onde passam os canos.

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    A audiência pública realizada pela Comissão de Saneamento Ambiental da Alerj, no último dia 15 de agosto, quinta-feira, sobre o acidente com a adutora da Cedae, em Campo Grande, evidenciou um problema maior do que o rompimento de 30 cm por onde jorrou a água que destruiu parte do bairro do Mendanha e matou uma criança de três anos. A desenfreada ocupação irregular do Rio de Janeiro não poupa as chamadas faixas de adutoras. Em tese, terrenos que dão passagem subterrânea aos canos precisam de 30 metros de distância da ocupação urbana.  Mas, de acordo com moradores, lideranças locais e especialistas, as comunidades de Campo Grande são um exemplo preocupante de um conjunto de casas, comércio e indústria alocados em cima das tubulações, recebendo, muitas vezes, infraestrutura da própria prefeitura.

    Para a deputada Aspásia Camargo, a Cedae tem que disponibilizar ao poder municipal um mapeamento. E a prefeitura, por sua vez, deve agir. A Secretaria de Urbanismo do município, convidada para a audiência, não compareceu. Assim como o administrador regional de Campo Grande, que chegou a afirmar que o acidente é “um problema da Cedae, e não dele”.

    “Mas não é. Houve uma unanimidade sobre o fato de que, se ocorre uma tragédia como essa, significa que o aspecto urbano não está funcionando. É só olharmos o caso de um supermercado do Mendanha que foi construído no meio de uma das ruas, criando uma barreira que bloqueou a passagem da água, exatamente no lugar em que morreu a menina Isabela”, esclareceu a deputada, ao fazer um balanço sobre o encontro.

    O presidente da Associação de Moradores do Mendanha, Carlos Vilanova, levou ao debate um projeto da prefeitura já com a previsão orçamentária para o asfaltamento de um local próximo ao da adutora rompida, por onde também transitavam caminhões de obras. “Se não pode circular nessas áreas, para que asfaltá-las?”, questionou ele.  

    Causas
    Uma das motivações do encontro foi apurar as causas do acidente, antecedido por diversos eventos semelhantes, porém, de conseqüências menos drásticas. A deputada Aspásia Camargo questionou à Cedae sobre o nível de conservação e serviços de manutenção da rede da companhia. O diretor Jorge Briard, que representou o presidente Wagner Victer, explicou que a adutora tinha 57 anos e que ela passa normalmente pelos procedimentos que garantem a segurança em sua operacionalidade. Ele acrescentou que este tipo de tubo - de concreto  e protegido, dificilmente apresenta problemas espontaneamente.  E atribuiu a fissura ao estressamento do cano, sem precisar se o excesso de peso dos veículos foi o responsável.  “Não posso me antecipar ao laudo. Deixamos isso para o inquérito policial e para o Instituto de Criminalística Carlos Éboli”, disse ele.

    O diretor descreveu o passo a passo para a chamada reconstituição da faixa: “A prefeitura deve fazer a notificação e iniciar o processo de remoção”, explicou, referindo-se à comunidade conhecida como Carobinha como um local de risco. Briard também respondeu as dúvidas sobre o andamento do ressarcimento de bens e construções e reformas de casas. “A Cedae está decidindo com a prefeitura onde as novas casas serão colocadas, se no mesmo no lugar ou não”, informou.

    O encontro estava repleto de moradores do Mendanha, representantes de ONGs locais e associações de moradores. Um deles chegou a narrar uma tentativa de dissuasão, vinda do poder público, da ideia do grupo de comparecer à audiência.  Estiveram presentes ainda funcionários da Cedae e os deputados Comte Bittencourt (PPS) e Enfermeira Rejane (PCdoB).

    Aspásia pede mapeamento das adutoras da Cedae