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Como viver em um planeta mais quente?

  • Dom, 17 de Junho de 2012 19:45
  • Aspásia Camargo aponta prioridades na agenda de adaptação às mudanças climáticas

    Na Rio 92, quando o tema das mudanças climáticas apareceu como a grande preocupação ambiental, a palavra de ordem era mitigar seus efeitos. Vinte anos depois, quando o aumento da temperatura global já é uma realidade, aparece outra orientação: como viver sob esses  efeitos? A conferência Rio Clima – The Rio Climate Change, paralela da Rio + 20 com ênfase nas mudanças climáticas, encerrou no último dia 17, domingo, uma semana de mesas e reuniões que discutiram, entre outras questões, a adaptação a um planeta mais quente. A deputada Aspásia Camargo integrou o grupo de trabalho do tema e mediou painel focado em como assegurar alimento e água com a chegada das altas temperaturas. Para ela, outros pontos também merecem destaque na agenda da adaptação: informação disponível em rede, mapeamento de áreas críticas, inclusão das cidades na lista de prioridades e governança. 

    Aspásia propôs uma rede mundial para consolidação das informações locais e regionais -  inclusive com um banco de boas práticas – e, ainda, uma base cartográfica de Geographic Integrated System (GIS) para localizar territórios sensíveis como zonas costeiras, alagadas, semi-áridas, em fase de desertificação e encostas, nascentes ou margens dos rios sujeitos a enchentes, rios com déficit hídrico e áreas agrícolas. “É preciso avaliar as perdas agrícolas regionais e os impactos sociais sobre a agricultura familiar e de alimentos, atingindo duplamente as camadas de baixa renda e os ativos naturais dos ecossistemas”, explicou.

    Cidades e governança

    O meio urbano merece a mesma atenção para conseguir responder aos eventos climáticos adversos. A deputada citou as fortes chuvas que caíram na Região Serrana do Rio de Janeiro, no início de 2011. “As cidades precisam de um planejamento de obras de contenção, de um Plano Diretor mais severo no que diz respeito à Lei do Uso do Solo, assim como de remover suas populações de áreas perigosas, combater a impermeabilização e maximinizar o suprimento alimentar”, disse Aspásia, que é defensora de espaços agrícolas nas cidades. 

    A descentralização do sistema de resposta às tragédias para que este seja mais veloz foi também destacado. “É necessário a criação de uma autoridade local de Defesa Civil, gabinetes de crise e o estímulo ao envolvimento de atores estratégicos e voluntários, com a ampliação de suas consciências e capacidades de intervenção”, acrescentou.

    Boas práticas internacionais

    Falar em disponibilização de informação diz respeito também ao acesso a bons exemplos mundo a fora. No dia 16, sexta-feira, a deputada Aspásia Camargo coordenou painel sobre adaptação às mudanças climáticas e as exposições trouxeram exemplos inspiradores que, depois, foram apresentados como sugestões para o relatório final de adaptação.  “Em situações de conflito entre países fronteiriços ou entre regiões de um mesmo país em função de desastres naturais ou escassez de água e alimento, acredito na adoção de um pacto voluntário que vise formas institucionais de cooperação, assim como o Pacto Israel-Palestina”, propôs a deputada, fazendo menção a apresentação do ex-ministro da Justiça e negociador da iniciativa de Paz de Genebra,Yossi Beilin

    No Senegal, não só a economia, mas a vida das pessoas já vem sendo alterada pelas mudanças de clima. O diretor da International Union for Conservation of Nature (IUCN), Racine Kane, contou que o país investiu em reflorestamento. “Áreas vulneráveis ou desertificáveis devem investir na recomposição vegetal”, disse Aspásia. 
    O Rio Clima foi encerrado durante o evento Humanidade 2012, no Forte de Copacabana. No sábado, dia 16, os grupos de trabalho finalizaram os relatórios de seus respectivos temas: adaptação, mitigação e finanças.

    Como viver em um planeta mais quente?