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Lixo no Cantagalo: a solução deve ser compartilhada

  • Dom, 06 de Fevereiro de 2011 10:47
  • Presidente da Associação dos Moradores do Cantagalo desde o ano de 2000, Luiz Bezerra revela nesta entrevista como o problema do lixo na comunidade tem causas variadas e deixa claro que só uma ação integrada dos diversos órgãos públicos pode trazer uma resposta efetiva à questão.

    Aliás, esta também é a posição da vereadora e deputada estadual eleita Aspásia Camargo (veja o vídeo “O lixo no Cantagalo”).

     

    Quando esse problema do lixo começou na comunidade?
    O problema já existe há muito tempo. Sempre teve acúmulo de lixo.  Mas se agravou com a saída dos garis comunitários, em novembro de 2010.

     

    Quais as causas do problema?
    Falta de educação e consciência da população. E falta de vias de escoamento. Lixeiras muito longe uma da outra. São poucas e distantes uma da outra.  Isto atrai muitos ratos e insetos.

     

    Quais as providências que a associação já tomou?
    Eu já conversei com o Francisco, gerente da Comlurb, no começo de novembro.  Ele falou que de início ele ia colocar cinco garis, depois mais cinco e depois ia ver se completava os 15. Fui ao subprefeito em meados de novembro, e ele prometeu que ia agilizar nesse sentido. Até a Comlurb foi pega de surpresa. Eles já recorreram contra a suspensão dos garis comunitários. E a empresa não estava preparada pra colocar esse pessoal em 89 comunidades. Já tínhamos acúmulo de lixo, com a saída do gari, agravou mais.

     

    Já se passaram dois meses, o que foi resolvido?
    O Francisco já mandou cinco garis. Mas não existem garis suficientes na Comlurb para atender à demanda.  E mesmo estes cinco garis não são suficientes para atender às necessidades da comunidade.

     

    Aquele lugar fotografado pelo jornal O Globo virou um lixão?
    Sim, aquele é o maior, mas existem outros. É uma questão de falta de consciência das pessoas também.

     

    Qual é a freqüência com que a Comlurb vem aqui?
    Dia sim e dia não. Eles fazem um mutirão, retiram, mas depois acumula de novo. Eles (a população) não jogam só lixo, jogam entulho também.

     

    O que o senhor vislumbra como solução?
    O espaço vazio gera esse problema. Tem que ser feita uma obra naquele espaço. Uma praça, ou um prédio para reassentar as pessoas que estão em área de risco. Também é necessário um trabalho de conscientização ambiental.  Tenho até conversado com o pessoal do posto de saúde, e eles têm um trabalho sobre essa questão do lixo. E eles sugeriram uma ideia que eu achei muito boa. Eles têm os agentes de saúde que podem ir de casa em casa, levando folhetos. Pensamos em conseguir isso com alguma empresa que pudesse doar umas sacolas. Escolhemos cinqüenta casas e damos duas sacolas: uma pra ele colocar o lixo domestico e outro reciclado.
    E aí pensamos em dar uma gratificação a alguém, e essa pessoa coloca o lixo doméstico na caçamba  e faríamos uma parceria com instituição de reciclagem de lixo, para que ele venda o lixo reciclado. No começo damos uma gratificação ao agente e depois ele passa a se sustentar com a venda, quando já tiver contatos e clientes suficientes. Dessa forma acabaríamos com o lixo acumulado.
    Nós estamos pensando em soluções para complementar o trabalho da prefeitura, que não tem garis suficientes para atender todas as comunidades que contavam com os garis comunitários. Com a segunda fase da construção do elevador no ponto mais alto da comunidade, não podemos ficar com aquele lixo ali. Vai ser um ponto turístico. E a reciclagem ajudaria muito.

    Lixo no Cantagalo: a solução deve ser compartilhada