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Um novo modelo de governança para a América Latina

  • Qui, 27 de Março de 2014 11:54
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    Aspásia discutiu a política ambiental latino-americana em evento de relações internacionais e destacou a importância das cidades na transição para o desenvolvimento sustentável.

    A América Latina é um dos mais ricos continentes do planeta em recursos naturais. Concentra 30% dos recursos hídricos, 21% das florestas e abunda em biodiversidade. Mas qual o bom proveito que os governantes estão fazendo de um potencial que pode colocar o continente na vanguarda do processo de transição do velho modelo de progresso para o desenvolvimento sustentável? Segundo respeitados órgãos mundiais, muito pouco.

    No último dia 26 de março, a deputada Aspásia Camargo discutiu as políticas ambientais da América Latina no XV Encontro de Estudantes e Graduados em Relações Internacionais do Cone Sul (Conosur). Aspásia chamou atenção para o papel das cidades na mudança do paradigma de desenvolvimento, num momento que ela diagnostica como de desintegração dos Estados Nacionais, sublinhando a importância de novos modelos de Governança.

    Levantando temas como as mudanças climáticas e infraestrutura - com ênfase no transporte de massa e no saneamento, a deputada destacou dados importantes. Os índices de saneamento do Brasil, por exemplo, são vergonhosos até para os parâmetros latino-americanos e caribenhos.
    "Enquanto o continente está na casa dos 80% em tratamento de esgoto, o Brasil passeia pelos 30%", expôs.

    Já os índices de mobilidade urbana estão, insatisfatoriamente, equilibrados entre as regiões metropolitanas analisadas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Cidade do México, Caracas, Montevidéu, entre outras."Analisando os dados, vemos que estamos todos mais ou menos imóveis. O transporte sobre roda, representado por 85% das viagens coletivas, predomina sobre os trilhos, representados por 15%. E a presença de trens é ínfima", destacou ela que criticou, ainda, a baixa conectividade entre os países do continente seja por via área, férrea ou hídrica.

     

    Mudanças climáticas, cidades sustentáveis e sociedade da informação

    A Américas Latina está prestes a ocupar o lugar central das discussões do planeta sobre o aquecimento global. A próxima Conferência das Partes (Cop 20), acontece em Lima, no Perú, no final de 2014. A exposição da deputada mostrou que o continente tem sofrido com o aumento de catástrofes, como tormentas e inundações, e é palco de inúmeros pontos de vulnerabilidade: muita gente vivendo na linha da extrema pobreza, grande extensão da área costeira e exposição ao aumento do nível do mar, risco de colapso no sistema de abastecimento de água devido ao derretimento das geleiras andinas, entre outros. Mas, mais uma vez, o atraso político distorce o estabelecimento de prioridades e supera a urgente definição de estratégias de mitigação e adaptação às mudanças no clima.

    "Somos a região do planeta com maior incidência de sol e não investimos em energia solar, e sim em petróleo e carvão. Poderíamos liderar a fase do desenvolvimento pós-capitalista. No entanto, estamos imitando o modelo desenvolvimentista da Inglaterra do século XVIII", afirmou Aspásia.

    Como aspecto positivo, a parlamentar discorreu sobre o empoderamento das cidades, diante do que ela chamou de "fragmentação dos Estados Nacionais".

    "Londres tem metas mais severas de redução de Gases de Efeito Estufa do que a Inglaterra. Enquanto os Estados Unidos se recuou a assinar o Protocolo de Quioto, São Francisco e Los Angeles são exemplos para o mundo na redução de emissões. O Rio de Janeiro é a única cidade da América Latina que já está no terceiro ano de seu inventário de GEEs", destacou.
    No entanto, ela ressaltou que para fazer o que chamou de "revolução do século XXI", é necessário investir em educação e em recursos humanos, segundo ela, o principal instrumento capaz de mover a sociedade do conhecimento que vai criar modelos de governança melhores do aqueles em vigor.

    "Sem informação, não elegemos prioridades e nem fixamos estratégias", concluiu.

    Um novo modelo de governança para a América Latina