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A missão de Aécio e as lições do Itamar

  • Sex, 17 de Outubro de 2014 15:46
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    Por um governo de reformas e pacificação política.

     FRENTE DEMOCRÁTICA PARA GRANDES MUDANÇAS

    O candidato Aécio Neves acaba de fazer um pronunciamento lembrando a frente democrática que se criou, em 1985, para eleger seu avô, Tancredo Neves, interrompendo o longo regime militar. Neste segundo turno, vejo a importância, não apenas de uma frente partidária, como ocorreu em 1985, mas também de correntes políticas como a de Marina e parte de sua rede de sustentabilidade. Sua adesão a Aécio se fez em torno de um claro e ousado programa de mudanças que incluem avanços do sistema democrático, a revolução educacional desde a creche, a criação de empregos para uma sociedade do conhecimento, tecnologicamente mais avançada; e um ousado programa de energia renovável, além da preocupação maior com o desenvolvimento sustentável e a recuperação da economia.

    news-18102014-aecio02Participam ainda destas diferentes correntes em torno de Aécio, os velhos militantes de partidos de esquerda como o antigo PCB e o PPS, o PT, o PV; técnicos de governo e os intelectuais da Esquerda Democrática, cujo manifesto assinei e que revelam a vontade comum de mudar o Brasil pela raiz.

    Vejo, no momento atual, expectativas e semelhanças com o governo de transição de Itamar Franco, depois das frustrações e do fracasso do governo Collor - o primeiro democraticamente eleito depois do regime militar. Em meu artigo, "Itamar, o Breve", mostrei que, em seu curto governo, o Brasil fez grandes reformas e mudou de rumo, recuperando as esperanças na democracia. Participei, como presidente do IPEA, deste momento singular da história recente, e o que vi e vivi merece hoje ser lembrado. Cabe aprender as lições de Itamar.

    O ponto comum entre Aécio, Tancredo e Itamar é que são autênticos representantes da tradição de Minas que, como sabemos, carrega de berço uma tradição de equilíbrio e pacificação, indispensável à coesão dos brasileiros nos momentos de crise. De Minas, veio a unidade territorial de nosso país, em torno da mineração. Veio também a coragem e a rebeldia de Tiradentes, que se retrata em Tancredo Neves, conciliador no estilo, o mais corajoso e fiel dos ministros de Vargas, que com ele ficou até o fim. Tancredo foi também o oposicionista exemplar, que jamais aderiu ao regime militar.

    É preciso aprender também as lições de Itamar, o pacificador, que foi também corajoso e profundamente inovador. Está será também, caso eleito, a missão de Aécio: fazer mudanças e pacificar o Brasil, hoje dividido entre "nós" e "eles"!

     

    ITAMAR CONTRA A CORRUPÇÃO

    Na Política com P maiúsculo, Itamar começou por interromper a onda de corrupção e fisiologismo que corroía o Estado brasileiro. Inaugurou um princípio que serviu de exemplo a outros governos: a qualquer acusação pública, a autoridade ou ministro responderia fora do cargo. Não foi exatamente o que aconteceu no último governo.

     

    ITAMAR, O PACIFICADOR

    Itamar, o Breve, foi Itamar, o Grande. Seguindo a velha tradição mineira de pacificação e equilíbrio, o presidente colocou seu mandato à disposição dos partidos, caso seus presidentes achassem melhor convocar novas eleições. Uma vez obtido o voto de confiança, Itamar compôs com os partidos e construiu sólida aliança progressista no Senado e construiu maioria no traumatizado Congresso Nacional.

    O presidente jamais agiu movido pelo sentimento de oposição ou de vingança. Convocou os melhores para ajudá-lo. E chamou o sociólogo Fernando Henrique para combater a inflação. Como pacificador, seguiu as pegadas de outro mineiro ilustre, Juscelino Kubitschek, que abrandou os conflitos que levaram ao suicídio de Getulio Vargas. Na tradição política brasileira, mineiridade é a síntese da brasilidade. O mineiro Itamar terminou seus dois anos e três meses de governo com 83% de aprovação popular.

    A sabedoria mineira cai como uma luva para o momento atual, cheio de antagonismos, polarizações e hostilidades. Nada de discriminação e preconceitos políticos. Nada de patrulhamentos ideológicos. Nada de rixas pessoais e lutas partidárias. Unido, o Brasil ficará mais forte!

     

    A REVOLUÇÃO SOCIAL DE ITAMAR

    A Revolução social no Brasil começou no Governo Itamar que ampliou as relações do Estado com a sociedade civil. Compôs-se programaticamente com diferentes partidos e conseguiu recuperar a fé na democracia, domando o monstro da inflação, que tanto prejudicava e prejudica os mais pobres, dando início à maior política de distribuição de renda de nossa História.

    Na área social, Itamar rompeu a barreira do estatismo centralizador e fisiológico da extinta LBA (Legião Brasileira de Assistência), iniciando parcerias com a sociedade civil a partir de três grandes lideranças: Betinho, D. Mauro Morelli e Plínio de Arruda Sampaio (PT), para participar do Conselho de Segurança Alimentar (CONSEA). Garantiu para Betinho o apoio das estatais, permitindo o êxito de sua Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida. No IPEA, fizemos o Mapa da Fome, identificando os municípios mais pobres e para lá transferindo recursos.

    Fato inédito, Itamar criou a LOAS, a Lei Orgânica de Assistência Social, que não apenas garantiu benefícios continuados para os idosos e deficientes carentes, como assegurou a base legal para a transferência de renda, que passou a incluir os não-contribuintes da Previdência Social. Nascia aí a base jurídica para uma nova geração de programas de renda mínima, começando pelo Bolsa Escola e outros benefícios do Governo FHC. Esses programas foram unificados a partir de trabalhos técnicos que culminaram, no Governo Lula, com o atual Bolsa Família.

     

    AVANÇAR NAS POLÍTICAS SOCIAIS

    Cabe agora ir mais longe, implantando políticas estruturais mais consistentes de redução das desigualdades, a partir de sólidas políticas de inovação, aumento da produtividade, capacitação e criação de emprego e renda em patamares mais elevados. Combater a miséria sistêmica do Nordeste brasileiro - e que absorve a metade dos beneficiados do Bolsa Família- é um imperativo nacional.. Apostar na educação de qualidade desde a creche e o pré-escolar e fazer a revolução na escola, transformando-a em locus do aprendizado, não do século XIX, mas do século XXI, é outro enorme desafio. E qualificar nossa mão de obra, estimulando o empreendedorismo, e retomando o crescimento da indústria e dos serviços.

     

    VAMOS VOTAR NAS MUDANÇAS!

    Cabe às lideranças nacionais cumprir a missão que a História lhes reserva, em nome das forças democráticas e progressistas que clamam por probidade administrativa e por mudanças no planejamento estratégico do país. .A agenda de mudanças não está concluída, mas avançou bastante. Tudo depende agora de vontade política, de participação - e do voto nas urnas.

    Estamos a poucos dias de escolher o próximo presidente. E, peço a Deus, votar nas mudanças!

     

    A missão de Aécio e as lições do Itamar