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“Uma das grandes lições do processo climático é que levamos muito tempo para perceber que a mudança é econômica”, disse Aspásia

  • Qua, 14 de Junho de 2017 13:31
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    A subsecretária de Planejamento e Gestão Governamental da cidade do Rio, Aspásia Camargo, participou no último dia 13 de junho da Conferência Rio Clima. Este ano, o encontro se dedicou especialmente a discutir as maneiras de se fazer a transição do modelo econômico atual para um modelo econômico de baixo carbono, em que o “carbono menos” passe a ter valor no mercado financeiro. O custeio da infraestrutura relacionada à adaptação para as mudanças climáticas também foi tema de destaque durante o encontro. Acontece que o Fundo Verde do Clima conta, hoje, com 100 bilhões de dólares anuais, enquanto a demanda real está estimada em três trilhões.

    Para Aspásia, uma das grandes lições deste processo é que se levou muito tempo para perceber que a mudança é justamente econômica.  Ela fez um convite ao planejamento e à ação,  recorrendo aos princípios estabelecidos pela Agenda 21 que, em sua opinião, é um documento completo  que faz efetivamente o desenvolvimento “conversar” com o meio ambiente. 

    “A agenda 21 insiste na ação integrada e participativa. E precisamos pensar nesta ação no âmbito das cidades, que são os entes que sofrem diretamente com o impacto ambiental. A relação entre natureza, infraestrutura e ser humano nas cidades tem que ser mais orgânica e menos mecânica. Não é possível pensar mudanças climáticas isoladamente, longe de falta d`água ou de biodiversidade. As políticas precisam andar juntas, dentro de uma visão inteligente”, disse ela, no painel de encerramento do evento. 

    Especialistas do mundo inteiro estiveram no Rio para participar do encontro, que já está em sua quinta edição. Os palestrantes mostraram inovações na área de baixo carbono; mecanismos de estímulo ao setor privado e ao setor público para diminuir suas emissões; cases de políticas públicas em países, estados e cidades.

    Alfredo Sirkis, organizador do Rio Clima, chamou atenção para a posição retrocedente do Brasil nesta corrida do baixo carbono. Apesar do país ter vivido um período econômico recessivo, os altos índices de desmatamento fizeram as emissões brasileiras aumentaram. Já o mundo caminha em outra direção: com a produtividade em alta e um PIB global cerca de 3% maior, as emissões mantiveram-se estáveis, contando até com uma leve queda.  

    “É necessário encontrar mecanismos econômicos para se chegar ao desmatamento zero, como dissuadir o desmatamento legal”, disse ele. 

    A saída oficial dos Estados Unidos do Acordo de Paris também esteve na pauta. Sirkis chamou atenção sobre como alguns estados americanos fortemente industrializados e mais de 100 das principais cidades americanas ignoraram a decisão nacional e anunciaram que vão continuar cumprindo as metas.

    “Por um lado, temos que estar atentos ao processo da ONU, ativos e participantes. Mas por outro lado, temos que ter a liberdade de ter outros processos, através de governos nacionais ou subnacionais”, alertou.

    “Uma das grandes lições do processo climático é que levamos muito tempo para perceber que a mudança é econômica”, disse Aspásia