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Quem disse que a Rio + 20 não deu certo?

  • Sex, 29 de Junho de 2012 15:36
  • Aspásia Camargo: "São reuniões como essa que fazem o consenso mundial avançar!"

    Ao término da Rio 92, a imprensa noticiou: a conferência fracassou... Desde então, a pauta do desenvolvimento sustentável, conceito que se consolidou no encontro, aparece cada vez mais forte na mídia, nas empresas, nas políticas públicas, na sociedade com um todo.  As manchetes pós-Rio + 20 não vêm sendo diferentes. Mas para a deputada Aspásia Camargo, apesar das críticas ao documento final e do clima de “para que afinal serviu a conferência”, o efeito de seu processo é mais uma vez positivo.

    “A Rio + 20, sob muitos aspectos, foi um sucesso. O documento final é uma convocação para a ação, e deixa a ONU extremamente comprometida em implementar o que a conferência estipulou. São reuniões como essa que fazem o consenso mundial avançar”, disse ela a uma plateia de estudantes na palestra Os resultados da Rio + 20, promovida pelo `Programa Inovar para Crescer nas Escolas (Pince) em parceria com o Conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). O debate foi feito com alunos da escola Júlia Kubitschek e Ignácio Azevedo, no último dia 29 de junho, sexta-feira, no auditório da ACRJ.  

    O futuro que queremos

    Aspásia explicou que, na Rio 92, nasceram agendas como as da convenção do clima, da biodiversidade e da desertificação. “Agora, todas as pessoas falam das mudanças climáticas. Tema que, na época, era obscuro até para os especialistas. Já a agenda ambiental estabelecida neste último encontro é a dos oceanos”, destacou, após deparar-se com um “oceano” de braços levantados diante da pergunta: “quem aqui ouviu falar que a Rio + 20 não deu certo?”.

    Quanto a resultados concretos, Aspásia acrescentou que o ponto número 1 do documento é o compromisso com a erradicação da pobreza. “O mundo precisa que sejamos parecidos, como uma grande classe média”, disse. A deputada se refere à necessidade dos seres humanos estarem posicionados com distância dos extremos sociais.  Nem miséria, nem concentração de renda, ponto que chama atenção para uma segunda urgência do planeta, de acordo com o documento: a mudança dos padrões de produção e consumo. “Esse desafio é mais para os países ricos, os quais consomem de forma exagerada e ostensiva”, ressalvou.

    Aspásia falou ainda das soluções trazidas para governança, como a criação de uma comissão  de alto nível para discutir os novos padrões de desenvolvimento, a qual ela apelidou de “G-20 do desenvolvimento sustentável”. Atualmente, a ONU conta com um programa para  Meio Ambiente, o Pnuma, considerado fraco e isolado.  Para a parlamentar, outros pontos importantes do documento são: os cientistas assumem papel de conselheiros dos governos; e novos indicadores devem ser adotados (com revisão do PIB, que considera a destruição como indicador de crescimento) e os recursos naturais, como água e biodiversidade, valorados.

    “A Rio + 20 também mostrou o potencial das cidades na implementação de ações sustentáveis. E para o Rio, ela deixou o Rio +, um centro mundial que vai discutir desenvolvimento sustentável. O fato é que estamos saindo de um tipo de sociedade predatória, industrial. Os resultados finais dessa conferência, apesar da lentidão dos governos, são um acúmulo de conquistas da nova sociedade mundial que está nascendo”, finalizou, arrancando aplausos, perguntas e abraços dos jovens estudantes!

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