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Um legado de problemas

  • Dom, 22 de Julho de 2012 17:37
  • Engenhão complica a vida dos moradores por falta de fiscalização e ordem pública.


    Nó no trânsito em dias de jogos, ocupação irregular das estreitas calçadas, oficinas de trem abandonas, insegurança, falta de fiscalização e ordem pública. Estes foram alguns dos problemas identificados pela candidata a prefeita do Rio pelo PV, Aspásia Camargo, na tarde deste domingo, quando foi ao entorno do “Engenhão” averiguar o legado do estádio à comunidade do Engenho de Dentro.

    altAcompanhada de seu vice, Alfredo Piragibe e do candidato a vereador Betinho, Aspásia conversou com moradores que reclamaram da situação caótica em dias de jogos. O estádio, construído para a realização dos Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos, não respeitou ao projeto original, que previa melhorias no entorno. “Ainda está em tempo de corrigir os erros cometidos no Engenhão. Não podemos repeti-los na Copa do Mundo e nas Olimpíadas. Legado tem que ser legado”, alertou a candidata.

    Segundo ela, o Engenhão acabou se tornando um problema para os moradores devido ao descumprimento do projeto original. “É uma pena ver o bairro que eu frequentava na infância, quando vinha de trem de Realengo até aqui para visitar minha tia Nair, tão mal tratado pelo poder público", lamentou. O bairro não conta com uma área pública para a prática de esportes e lazer, nem mesmo com uma ciclovia ao redor do estádio.

    A candidata verde alertou à necessidade de identificar impactos dos grandes eventos esportivos no cotidiano do carioca. “Legado e sustentabilidade não acontecem simplesmente: precisam ser planejados para que tenham significação e se tornem positivos. A criação de novas instalações esportivas devem passar pelo uso pela comunidade no período posterior aos eventos”, defendeu.

    Aspásia acredita que a realização de mega projetos esportivos só se justifica quando são obtidos mais ganhos permanentes do que temporários. Legados são benefícios perenes, vão além das obras de infraestrutura. É preciso a adoção de boas práticas de governança, de um modelo de financiamento, de levantamento de dados e de estudos que permitam um monitoramento seguro dos impactos, bem como o estabelecimento de formas de envolvimento da sociedade civil. “O Engenhão serve de exemplo para a necessidade de buscar soluções que melhor acomodem o interesse da população envolvida e para que o legado, no seu sentido pleno, esteja integralmente alinhado com os desafios de uma cidade sustentável”, analisou.

    Um legado de problemas